Publicação será apresentada em primeira mão na CCXP e lançada na livraria Megafauna
A Mina de HQ é um plataforma multimídia com foco em gênero e representação que reúne pesquisa, curadoria, HQs e conteúdo customizado, organização de cursos e eventos, e divulgação de histórias em quadrinhos feitas por mulheres cis, pessoas trans e não binárias. Este projeto independente, criado em 2015 pela jornalista Gabriela Borges, completa uma década e se consagra com a publicação do livro Quadrinhos, diversidade e insurgência: Mina de HQ 10 anos, lançado pela Kipuka – editora que aposta em experimentação gráfica, temas contemporâneos e compromisso político com o ecossistema do livro. A capa é da Helô D’Angelo e a jornalista e escritora Daniela Arrais assina a orelha da publicação.
Organizado pela jornalista Gabriela Borges e a pesquisadora Dani Marino, o livro representa um manifesto e uma comemoração. Com uma antologia de quadrinhos da última década com foco em diversidade e apresentação de mais de 200 quadrinistas para conhecer, ler e seguir, o livro se destaca pela memória deste tempo de atuação e reflexões que abrem possibilidades de diálogo para o presente e futuro do universo dos quadrinhos.
Curadoria crítica e formação de leitores
Site, revista, newsletter, clube de leitura, a Mina de HQ atua em diversos campos e tem como objetivo dar visibilidade ao trabalho de quadrinistas mulheres cis e pessoas trans, e às diferentes formas de representação de gênero nas HQs.
Em dez anos de atuação, a Mina de HQ se firmou como uma das mais importantes iniciativas de curadoria crítica e incentivo à leitura no país, ao tratar os quadrinhos como expressão cultural diversa e territorialmente enraizada. Seu trabalho vai além da divulgação de obras: propõe leituras que contextualizam autoras, coletivos e produções de diferentes regiões do Brasil, descentraliza o olhar concentrado no eixo Rio–São Paulo e amplia o acesso a narrativas plurais. Essa abordagem, que alia crítica, pesquisa e difusão, rendeu à plataforma prêmios como o HQ Mix, o Angelo Agostini e uma indicação ao Prêmio Jabuti, e consolidou sua contribuição singular para a formação de leitores e para o fortalecimento das redes que sustentam a produção contemporânea de quadrinhos.
“Fazer curadoria significa ter um olhar crítico para construir narrativas por meio da escolha do que mostrar e como mostrar. É intencionalidade. Na curadoria de histórias em quadrinhos que faço, seja para os canais da Mina de HQ, eventos, coletâneas, editoras ou outros propósitos, destaco obras e artistas que dialogam com certos temas, movimentos artísticos ou momentos históricos. Ou seja, fazer curadoria é dar sentido ao conjunto e ajudar o público a descobrir e compreender de forma mais profunda aquilo que está sendo apresentado”, explica Gabriela Borges
Gabriela e Daniela são amigas e companheiras nesta luta há muitos anos, desde os tempos que antecederam a MHQ. Gabriela fundou o projeto e Dani se tornou essencial em seu aprofundamento e continuidade. Este livro é fruto de sentidos construídos coletivamente e de experiências das quais participaram de forma orgânica, razão pela qual adotaram a escrita em primeira pessoa e com um tom intimista que agrega e contextualiza a leitura.
“Durante a confecção do livro, me dei conta do meu protagonismo nas ações que promoveram maior alcance e divulgação dessas mulheres em um meio ainda muito machista, e é uma sensação muito empoderadora. Possibilitar que futuras quadrinistas e leitores entendam os caminhos percorridos para que cada vez mais mulheres estejam entre finalistas de prêmios e em publicações diversas é uma honra que tenho um grande prazer em compartilhar com todo mundo que nos lê”, diz Dani Marino.
“Esse livro é um dos maiores projetos da minha vida e não só no tamanho. Ele reúne dez anos de caminhada com a Mina de HQ, uma trajetória construída com afeto, escuta, crítica, feminismo e muita teimosia. Publicar essa obra é um gesto de memória e de afirmação: nós – que lemos e fazemos quadrinhos – sempre estivemos aqui. Além de uma leitura prazerosa e inspiradora. Essa é uma publicação coletiva e política, porque contar nossas histórias também é uma forma de disputar o presente e desenhar futuros possíveis”, diz Gabriela Borges.
O livro vem com um pôster encartado (a ilustração que figura na capa), da artista Helô D’Angelo. Mariamma Fonseca, Samanta Coan e Samara Horta, fundadoras do Lady’s Comics, assinam o prefácio.
“Quero que este livro chegue às mãos de quem já acompanha a Mina desde os primeiros posts, mas também de quem ainda não sabe que quadrinhos podem ser ferramenta de resistência, educação e transformação.”, finaliza Gabriela Borges.
Prêmios
Mina de HQ
- Prêmio Jabuti, finalista em 2022 na categoria Fomento à Leitura
- Global Arts Prize, finalista em 2025 na categoria People
- Vencedora dos principais troféus de quadrinhos do Brasil HQMix (2023) e Angelo Agostini (2021)
Lançamentos
O livro será apresentado ao público durante a CCXP – um dos maiores eventos de cultura pop do mundo, em São Paulo. Gabriela Borges participa pela 3ª vez como convidada do Artists’ Valley e, além da mesa com destaque na feira de quadrinhos, fará parte da programação de debates e entrevistas nos palcos do evento.
Quinta-feira, 04 de Dezembro
Palco Omni – 18h
Spotlight com Elena Casagrande.
Dani Marino (moderação)
Palco Omni – 20h-20h45
HQ+18: Tirem as crianças da sala!
Gabriela Borges (moderação)
Sexta-feira, 05 de Dezembro
Palco Omni – 19h-19h45
Mulheres que chutam bundas!
Gabriela Borges (moderação)
Sábado, 06 de Dezembro
Palco Omni – 18h-18h45
Minando o machismo – 10 Anos da Mina de HQ
Gabriela Borges, Dani Marino e Helô D’Angelo, com moderação de Dandara Palankof
O lançamento será na Megafauna Copan, será no dia 12 de dezembro, às 19h, com bate-papo entre as autoras Gabriela Borges e Dani Marino, e Helô D’Angelo (artista que fez a capa e o pôster), mediado pela jornalista e escritora Tatiana Vasconcellos, seguido de sessão de autógrafos.
Sobre as organizadoras
Gabriela Borges
Jornalista e mestre em Antropologia, de São Paulo (SP). Uma das mães da Lila. Atuou em meios de comunicação e em empresas como Trip Editora, SBT, Embaixada de Angola na Argentina, Agência Pulso e MESA. Em 2015, fundou a Mina de HQ, plataforma multimídia referência no Brasil em divulgação de histórias em quadrinhos, incentivo à leitura e debates sobre gênero, diversidade e representatividade. Foi finalista dos prêmios Jabuti (2022) e Global Arts Prize (2025), e vencedora dos troféus HQMIX (2023) e Angelo Agostini (2021). É editora e coorganizadora da antologia Quadrinhos queer (Skript, 2020), que reúne obras de artistas LGBTQIAPN+ do Brasil.
Dani Marino
Pesquisadora especializada em quadrinhos produzidos por mulheres e estudos de gênero, de Santos (SP). Mestre em Comunicação e doutora em Cultura e Informação pela USP, atua também como docente. Em sua tese de doutorado, apresentou articulações e propostas para uma crítica de histórias em quadrinhos mais inclusiva e diversa. Como autora, já produziu HQs próprias e coeditou Mulheres e quadrinhos (Skript, 2019), sobre a produção de quadrinistas mulheres no Brasil – obra laureada com dois troféus HQMIX. É coordenadora editorial da Mina de HQ e presença constante como jurada, debatedora e palestrante nos principais eventos do setor no Brasil, como CCXP e HQMIX.
Sobre a Kipuka Editora
A Kipuka é uma editora independente lançada em 2025 e dedicada a formatos experimentais, coleções temáticas e design editorial criativo, em ficção e não ficção, desde uma perspectiva latino-americana. O catálogo abrangerá literatura, artes, ciências humanas, poesia, política, gastronomia e direitos — sempre em diálogo com práticas contemporâneas e com o fortalecimento de redes e comunidades onde o livro circula como prática cultural viva e coletiva. Mina de HQ 10 anos: quadrinhos, diversidade e insurgência é seu segundo título.
A palavra que dá nome à editora significa uma ilha fértil que resiste intacta em meio à lava vulcânica, para depois irradiar vida sobre um território até então devastado. É uma metáfora poética para o gesto de ler um livro, e para o próprio livro: espaço-tempo de respiro, pensamento crítico e imaginação radical. A identidade visual, criada pelo coletivo Tanto Cria, faz referência a esses elementos, com um ícone que remete a um vulcão e ao mesmo tempo a um livro aberto, e uma paleta de cores que representam terra, magma e ilha verde.
Serviço lançamento
CCXP
Data: de 4 a 7 de dezembro
Painel de apresentação do livro: “ Minando o machismo – 10 Anos da Mina de HQ”,
06/12 (sábado), às 18h, Palco Omni, com a presença das autoras.
Endereço: São Paulo Expo – Rodovia dos Imigrantes, 1,5km
Megafauna Copan
Data: Sexta-feira, 12 de dezembro
Hora: Às 19h
Endereço: Av. Ipiranga, 200
Formato: bate-papo entre as autoras Gabriela Borges e Dani Marino, e Helô D’Angelo (artista que fez a capa e o pôster), mediado pela jornalista e escritora Tatiana Vasconcellos, seguido de sessão de autógrafos.