editora movida a imaginação radical

Queima

de Ariadna Castellarnau

Nesta narrativa fragmentada e de prosa seca, sobreviventes vagam por um mundo em colapso, negociando a fome, a memória e a persistência da vida. Sem explicar a catástrofe, o livro se detém no que resta depois dela: florestas silenciosas, vilarejos esvaziados, valas de animais, misteriosas fogueiras noturnas, a desconexão humana. Queima acompanha personagens que aprendem a habitar o fim como condição cotidiana.

Tradução: Silvia Massimini Felix
Projeto gráfico e ilustrações: Vânia Medeiros
Revisão da tradução: Livia Almendary
Revisão: Juliana Cury | Algo Novo Ediorial
Lançamento: 30 de abril de 2026
Dimensão: 13,5 cm x 21 cm x 0,77 cm
Peso: 200 gr
Páginas: 112
ISBN: 978-65-985331-5-1
Data de publicação: maio de 2026

“Romance de estreia da premiada Ariadna Castellarnau, escritora catalã de língua espanhola publicada agora pela primeira vez no Brasil, Queima se compõe de oito relatos aparentemente autônomos, mas que, ao longo da leitura, se revelam complementares, fornecendo, por vezes, diferentes pontos de vista de uma mesma personagem ou de um mesmo acontecimento. Todos se passam num país devastado, repleto de cadáveres (“como um cemitério com os mortos à vista”), sem lei, sem comida, sem esperança, em que as estradas estão fechadas e os sobreviventes famélicos temem o que nomeiam apenas como o “mal”.

Numa espécie de rito sintomático da desintegração social por que passam, os habitantes desse lugar distópico queimam seus pertences em imensas fogueiras, num grande potlatch em que não apenas as riquezas são reduzidas a cinzas numa autoimolação econômica e catártica, mas também, metonimicamente, as memórias ligadas a cada um desses objetos (e, com elas, as próprias existências dos incendiários).

Assim, podemos compreender, por um lado, a palavra-título deste romance sombrio e perturbador como o substantivo que nomeia essa cerimônia inquietante, à qual as personagens se dedicam de modo obsessivo desde que o mundo começou a dar os primeiros sinais de que entraria em colapso. Por outro, podemos interpretar “queima” (tanto no original em espanhol, “quema”, quanto na sua versão em português) também como a forma imperativa do verbo “queimar” conjugado na segunda pessoa do singular.“Queima” é, portanto, também a ordem difusa, sem origem ou voz definida, que parece emanar do próprio mundo em ruínas para ressoar ao longo de toda a narrativa. É sugestivo que sejam sobretudo as mulheres a atender a esse imperativo fantasma e levar a cabo a conflagração.”

Veronica Stigger, escritora e pesquisadora

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Sobre a autora

ARIADNA CASTELLARNAU (Espanha, 1979) é escritora, jornalista cultural e formada em Filologia Hispânica, Teoria da Literatura e Literatura Comparada pela Universidade de Barcelona. Sua obra se caracteriza por um olhar sombrio, poético e profundamente crítico sobre o mundo contemporâneo. Entre 2009 e 2016 viveu em Buenos Aires, onde trabalhou como jornalista cultural para alguns dos principais veículos do país. Como escritora, participou de diversas antologias internacionais, entre elas Panorama Interzona (Interzona) e Extrema Ficción (Antologías Traviesa). Seu primeiro romance, Queima, uma inquietante distopia que investiga os limites do corpo, da política e da devastação, recebeu o Prêmio Internacional Las Américas de melhor romance hispano-americano publicado em 2015. Com segundo livro, La oscuridad es un lugar, Castellarnau recebeu o Grand Prix de l’Imaginaire, na França, um dos mais importantes prêmios de literatura fantástica e especulativa da Europa. Sua obra tem atraído a atenção de leitores, críticos e programadores culturais de diferentes partes do mundo, posicionando-a como uma das vozes mais originais da literatura hispânica contemporânea.